'Restart faz Fresno parecer Dostoievski', diz Dinho Ouro Preto

Ao G1, cantor do Capital Inicial fala de acidente e da nova geração roqueira.
Banda faz show de lançamento de ‘Das Kapital’ em SP neste sábado.

Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial 
Dinho Ouro Preto, vocalista do Capital Inicial (Foto:
Divulgação)
Neste sábado (12) o Capital Inicial faz em São Paulo o primeiro show da turnê do novo disco da banda “Das Kapital”. O álbum tem gosto de superação: é o primeiro registro dede a queda do palco em novembro de 2009 que deixou o cantor Dinho Ouro Preto na UTI. “Eu quase morri, mas só me contaram isso depois”, diz o vocalista em entrevista ao G1 por telefone. “Eu não sou religioso, não tive essa coisa cósmica, de ficar grato”, conta sobre a recuperação.

“Das Kapital” é o décimo segundo disco de estúdio do grupo fundado em Brasília em 1982, e marca a troca do produtor Marcelo Sussekind pelo franco-brasileiro David Crocos. “Foi um privilégio trabalhar com o David”, afirma Dinho. “Ele não tem o que parecem vícios dos produtores nacionais – todo mundo põe a voz muito alta, os instrumentos muito comprimidos, não dá para ouvir a distorção da guitarra, os pratos da bateria”, explica o cantor.
“Nosso som ficou mais contemporâneo, gravamos de maneira diferente. Em vez de usar um amplificador com uma guitarra e colocar os efeitos no computador, gravamos com três amplificadores e dez microfones, por exemplo”, enumera o vocalista, dizendo também que gostaria que mais músicos brasileiros soubessem que “dá para fazer um disco desse jeito”.
Dinho cita artistas como Muse, Killers e White Stripes como influências contemporâneas no som do grupo, mas diz que o grupo quis passear por diferentes referências da história do rock. “Usei meu iPod como enciclopédia. Ele tem um pouco de tudo, para usar como referência. ‘Como gravava o Eddie Cochran?’. Tem. ‘Como era o hardcore no começo, UK Subs?’. Tem”.
Paternal
“Das Kapital” mantém o clima roqueiro que faz o Capital Inicial ser uma das poucas bandas da sua geração a renovar o público. “Eu me pergunto por que os roqueiros brasileiros se afastam do rock. Parece que é inadequado um adulto fazer rock”, reclama Dinho.
Essa persistência adolescente faz o grupo dividir os palcos com bandas mais novas em festivais pelo país. “A gente toca frequentemente com o NX Zero, com a Pitty. E normalmente nós somos os únicos veteranos. Eu procuro me controlar, mas às vezes eu tenho uma atitude quase paternal, eu fico dando conselhos pros caras”, brinca o cantor, rindo, e aproveita para alfinetar. “Pelo que eu ouvi dessa geração colorida, do Restart, eles fazem Fresno e NX Zero parecerem Dostoievski”, zomba, fazendo referência ao célebre escritor russo.
O Capital Inicial lança seu novo disco, `Das kapital`em São Paulo neste sábado (12).O Capital Inicial lança seu novo disco, 'Das kapital', em São Paulo neste sábado (12). (Foto: Divulgação)
Para se comunicar com a nova geração, Dinho e o resto da banda costumam usar o site oficial do Capital. “Ali tem muito conteúdo – muitas entrevistas, muitas imagens, sempre tem uma cara viajando com a gente, filmando os shows”, conta, dizendo que gosta de enxergar a internet como uma “via de mão dupla”. “O que me interessa é conhecer as pessoas, nossos fãs. Entro no Facebook e fico vendo quem são, quantos anos têm, onde estudam, que som que ouvem”.
Acidente
Foi no site oficial do grupo em que Dinho postou as primeiras notícias oficiais sobre seu acidente, quando foi parar na UTI após cair do palco durante um show em Minas Gerais, em novembro de 2009. “No começo as pessoas não estavam contando direito o que tinha acontecido. Foi por isso que eu comecei a escrever no site”, explica. “Não nos vemos como celebridades, não haveria porque mentir.”
Mas o músico também conta que algumas notícias até ele mesmo demorou para receber. “Eu cheguei muito perto de morrer, e isso não me foi dito no primeiro momento, só duas semanas depois que eu saí do hospital. Eu acho que os médicos podiam ter medo de que eu tivesse uma depressão, de que isso atrapalhasse a minha recuperação”, revela.
E diz que conseguiu transformar o “azedo” acidente em algo “mais doce” ao aproveitar o tempo para revisar as letras de “Das Kapital”, mas que não sentiu nenhuma revelação espiritual com o acontecido. “Eu não sou religioso, meu pai é ateu, eu sou agnóstico. Eu não tive essa coisa cósmica, de ficar grato. É muito difícil transformar isso em um sentimento de gratidão. Pô, meu acidente foi uma m...! Eu tenho dificuldade de extrair algo de positivo disso.”
Capital Inicial – Show de lançamento do disco ‘Das Kapital’
Quando: Sábado (12), a partir das 22h
Onde: Credicard Hall - Av. das Nações Unidas, 17955 – São Paulo, SP
Quanto: R$ 140, com direito à meia-entrada
Informações: (11) 5643-2500
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