O marginal do Vale do Silício


Os cabelos rastafári do cientista da computação americano Jaron Lanier, de 50 anos, o diferenciam claramente dos novos executivos que fazem montanhas de dinheiro no Vale do Silício. Mas não só eles. Pai do termo "realidade virtual" e pioneiro da internet, Lanier, uma das 100 pessoas mais influentes do mundo de acordo com a revista Time, largou seu entusiasmo pela web para "virar a casaca". Em seu livro-manisfesto Gagdet - Você não é um Aplicativo( Editora Saraiva, R$40 ), ele afirma que sites como Wikipédia, Facebook e até o Google acabaram estragando o espírito inicial da rede mundial de computadores para se tornarem um risco à individualidade.
*Um dos primeiros a enxergar a promessa da internet, agora você vê perigos em seu uso. Quando as coisas mudaram?
Jaron Lanier:Um dos principais momentos foi o surgimento do Google. Eu sou amigo de Sergey Brin [cofundador da companhia], e acredito que ele não tinha a intenção de fazer isso, mas o Google criou uma ideia de internet em que o único negócio financeiro é o de publicidade, com todo mundo fazendo qualquer coisa de graça, enquanto as centrais de publicidade online ficam com todo o diheiro. O problema é que os detentores do dinheiro também concentram o poder. Tudo virou uma maneira de tirar vantagem do que as pessoas faziam de graça. As políticas da internet eram bem de esquerda, todo mundo falava que tudo deveria ser voluntário, em prol da coletividade. Mas isso, ironicamente, causou todo o poder das companhias poderosas, como o Google e o Facebook.
*Quando reparou nisso?
Jaron: Há dez anos as pessoas começaram a me perguntar se poderia fazer parte de um grupo na internet, de pensamento coletivo. Foi aí que eu achei que estava acontecendo algo bem errado. Esse [o pensamento coletivo] foi um dos erros terríveis da internet.
*Você diz que a web 2.0 prejudicou a classe média. Por quê?
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